triagem telefonica topo

Em 1999, o Grupo Português de Triagem (GPT) introduziu o Protocolo de Triagem de Manchester (PTM) em Portugal, por acordo com o Manchester Triage Group (MTG), protocolo este atualmente implantado a nível nacional.

Este Protocolo implica que a triagem seja realizada na presença do doente que recorre aos serviços de urgência, por um enfermeiro com formação em Triagem de Manchester, permitindo assim ao profissional recolher uma história detalhada sobre o motivo que traz o doente ao serviço de urgência e a recolha/medição de parâmetros fisiológicos apresentados, de forma a determinar uma prioridade clínica e consequentemente um tempo-alvo para a primeira observação médica.

Desde 2006 foi elaborado um projeto com base nos resultados obtidos com a triagem presencial (PTM), para desenhar um protocolo de Triagem Telefónica. Pretendia-se assim ter toda a rede de urgência hospitalar e emergência pré-hospitalar sob o mesmo sistema, de forma coerente. Nasceu assim a Triagem Telefónica e Aconselhamento (TTA).
Desde já é necessário compreender as dificuldades acrescidas num protocolo de Triagem Telefónica:

  • Não é possível uma entrevista presencial (o que não permite a avaliação de parâmetros fisiológicos, por exemplo) e na maior parte das vezes não é o doente o interlocutor;
  • Os objetivos são semelhantes (determinar o risco) mas a ação resultante da triagem não é uma primeira observação médica perante um determinado tempo-alvo, mas sim a ativação de meios de socorro proporcionais à necessidade clínica identificada;
  • O sistema tem quatro níveis de prioridade, promovendo o aconselhamento e eventual terapêutica no domicílio no doente de menor risco;
  • Existe uma dificuldade acrescida em relação ao atendimento telefónico, pois não faz parte da formação dos profissionais de saúde e a ausência de validação da mesma em Portugal.

O GPT participa desde 2013 na validação desta nova aplicação da Triagem de Manchester com um projeto-piloto na região Autónoma dos Açores, tendo para tal assinado um protocolo com o Governo Regional (foto).

Para tal, foi necessário não só fazer a formação em Triagem de Manchester mas também em Triagem Telefónica, o que aconteceu em dezembro de 2013.

Foram traduzidos e adaptados à realidade nacional não só os protocolos de Triagem Telefónica mas também os aconselhamentos, consoante a realidade e especificidades locais que têm a ver com a insularidade e infraestruturas de saúde e da Rede Hospitalar da Região Autónoma dos Açores.

Outras particularidades da Triagem Telefónica têm a ver com a especificidade da entrevista telefónica, referindo por exemplo que o tempo de demora média de cada triagem é superior na TTA que na triagem presencial e que muitas vezes em situação crítica o operador fica em linha a aconselhar os utentes enquanto o socorro não chega ao local. De igual modo, nas categorias de gravidade inferior, após o aconselhamento é normal a existência de uma nova reavaliação através de uma chamada telefónica agendada para um prazo médio estipulado conforme as queixas apresentadas e o resultado obtido após a Triagem Telefónica.

A TTA foi validada nos Açores e no UK, tendo suplantado os objetivos científicos fixados previamente em relação à segurança do utente, correção na ativação de meios de socorro e satisfação dos utentes e profissionais entre outros. Para isso foi desenvolvido de raiz com a TTA um protocolo de auditoria e de controle de qualidade para garantir quer a segurança do utente quer a dos profissionais.


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